segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aquele que queria menos que nada

Porque é que todos os dias queremos coisas diferentes e formas diferentes de ver as mesmas coisas? As coisas são assim e a culpa é nossa. É nossa de as querermos mudar à força e é nossa de nos preocuparmos de mais. Um dia destes ele gostava de não se preocupar. Sim, virar as costas a tudo e simplesmente desligar. Gostava de pegar numa mochila e passar a Ásia a pente fino. Exactamente, de uma ponta à outra. Há qualquer coisa naquela calmaria que o intriga, que o faz querer perguntar a pessoas que não lhe sabem responder. No dia em que desligar, desliga para ti, para mim, para ela e para todos os outros, desliga para o mundo e com o mundo. Vai deixar de se inquietar com notícias sobre catástrofes, de se animar com os novos produtos para estética masculina que e de se preocupar com este ou aquele, que perdeu o gato na árvore, o cão debaixo do carro e o coelhinho na panela. 
Se ele pudesse, fazia como o tipo de 'Café Instantâneo' de Pedro Paixão e "zangava-se. Isolava-se. Passava a não ter relações. Passava a ser um nobre eremita, sem relações íntimas nem ambições. Qualquer ambição sugere-lhe logo a preguiça e a certeza da derrota merecida. Se pudesse tornava-se irascível, sarcástico e impossível de aturar. Em vez de não o convidarem para não se lembrarem dele, passavam a não o convidar por se lembrarem demasiado bem dele. Queria passar a sofrer da solidão de não querer."

domingo, 4 de dezembro de 2011

As palavras certas pela boca errada

O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre disse num qualquer sábado passado que os jovens portugueses deviam emigrar, sair da sua "zona de conforto". No fundo, o discurso é verdadeiro e assenta em factos reais, para além de ser incrivelmente actual. Existe só um pequeno aparte: saiu pela boca errada. 
Supõe-se que Alexandre Miguel Mestre já tem dedos de testa suficientes para saber que é impensável fazer uma afirmação pública daquele teor. Hoje em dia fala-se em troika, em austeridade, em crise económica, em instabilidade da União Europeia e todas as outras desgraças com que tantas vezes somos presenteados no telejornal. Ainda dentro do tema da crise, mas para que o assunto não cansasse os portugueses, o responsável da Juventude e do Desporto decidiu que o seu discurso deveria incidir precisamente na Juventude (e não tanto no desporto, pelos vistos). 
A verdade é que os jovens portugueses (e falo por mim também) enfrentam graves problemas quando chega a altura de arranjar um emprego e isto está presente em várias situações. Muitos dos sistemas universidade-1ºemprego não estão minimamente bem estruturados e os cursos de ciências sociais e humanas são, no geral, um bom exemplo disso. Para se adquirir a carteira de jornalista, é necessário fazer 12 meses de estágio curricular (que se pressupõe ser feito no final da licenciatura), mas as coisas não se processam exactamente dessa forma.
Primeiro, porque uma das coisas mais difíceis hoje em dia é arranjar um estágio (remunerado ou não), porque as redacções, cadeias de televisão e estações de rádio já estão atafulhadas de gente. Mas este não é o ponto fulcral do meu comentário. O meu comentário incide especialmente sobre casos em que a licenciatura não foi de Ciências da Comunicação ou de Comunicação Social. Tirei Línguas, Literaturas e Culturas e estou a fazer o mestrado de Jornalismo. Supõem-se então que também terei um estágio obrigatório de 12 meses, mas na verdade, preciso de um de 18 meses para estar apta a ter carteira de jornalista. O ponto essencial é este: quem, no seu perfeito juízo, vai colocar uma jovem aspirante a jornalista sem um curso ligado à área, a estagiar? Ninguém. E esse é precisamente um dos problemas hoje em dia, determinadas regras, burocracias e passos a seguir que não fazem sentido e na minha opinião, precisam de uma reestruturação para funcionarem a 100%.
Em Portugal, ou se é o melhor finalista do curso X ou Y, ou se conhece o presidente de um qualquer tipo de órgão ou associação importantes. Realmente é verdade o que o Sr. Secretário disse, concordo plenamente. Mas aí está a diferença. Eu não faço parte de um governo que gere um país em crise. Eu faço parte de uma geração pouco apreciada. Lá fora as coisas funcionam de outra maneira. Aliás, basta que funcionem para se notar a diferença. Este país não deixa que os mais novos dêem ideias e principalmente, que sejam pro-activos. Lá fora toma-se atenção a ideias pioneiras, a projectos ambiciosos e a novas políticas de trabalho e de investigação. Cá dentro faz-se o que se pode e o que se pode fazer hoje em dia não chega para essas pessoas ambiciosas e com bons projectos para apresentar. Por isso sim, concordo. Vamos para fora deixar que nos ajudem a tornar as nossas ideias realidade. Isto sou eu que digo, mas não aconselho que o Sr. Secretário de estado da Juventude e do Desporto volte a mencionar esse assunto, porque será a morte do artista.
Uma coisa sou eu, que posso passar bem por jovem desempregada revoltada, outra coisa são eles, que têm o dever de tentar não agravar a situação.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Melhor na tela que no papel

Está bem que a obra conjunta de Charles Dickens lhe valeu um lugar no mundo académico das línguas e das literaturas anglo-saxónicas um pouco por todo o mundo, mas neste caso, o mérito é do realizador de cinema. Alfonso Cuáron adaptou a obra 'Great Expectations' para cinema, em 1998.
Desde 1917 que vários cineastas adaptaram o título para a película, mas a melhor das interpretações - que não é necessariamente a mais fiel - é mesmo a de Cuáron. O realizador juntou a sensualidade de Gwyneth Paltrow e a ingenuidade da personagem de Ethan Hawke e conseguiu um filme que dá prazer ver e vontade de rever vezes sem conta. 
Este é um dos raros casos em que o filme supera o livro e acho que neste caso, em grande escala. Gwneth Paltrow (Estella) personifica uma elegante e inteligente mulher, cheia de boas maneiras que a sua 'encarregada' lhe incutiu e ensinou. Regras de boa etiqueta aliadas a uma educação classico-europeia rígida durante a infância e adolescência tornaram Estella numa mulher com poucos amores e muitos dissabores. Ethan Hawke encaixa que nem uma luva na personagem de Finn, criada por Dickens. Num registo bastante mais actual, a obra cinematográfica não perde pontos por não fazer jus ao original do escritor britânico. Atrevo-me até a dizer que melhorou o seu enredo, por possuir personagens que carregam mais robustez e marcas de vivências bem mais delineadas e claras. Se calhar foi só sorte no casting, mas Paltrow e Hawke parecem ter sido escolhidos a dedo para encarnarem Estella e Finn. Na verdade, fazem até um bom casal.
Uma das coisas que mais chama a atenção na película de 1998 são as paisagens intocáveis de um qualquer estado unido onde parte do filme se passa, a casa onde Estella cresceu e a sua tia envelheceu ao longo dos anos, tornando-se numa das figuras mais emblemáticas da história, responsável por incutir determinados pensamentos e teorias e de marcar a vida de Estella com as mesmas. 
Desconhece-se o final de 'Great Expectations' no cinema, mas quer-se acreditar que se trata de um bom final, de um final com significado, já que durante o filme, o autor nos confunde através de jogos psicológicos e sexuais. Confunde amor com paixão e com atracção e leva-nos a pensar que a classe social e intelectual vale mais do que o sentimento. Do final só Cuáron pode falar, mas todos nós somos livres de fazer as previsões. E um filme que vale sempre a pena ver, ainda que não seja tão 'exclusivo' e 'original' como a Árvore da Vida ou os filmes do tão aclamado Almodôvar.
Mais ou menos fatalista, 'Great Expectations' excede mesmo as expectativas e decerto que fará o mesmo a quem gosta de dramas românticos de qualidade. 

Abaixo, deixo o trailer, que pode não exceder as expectativas, mas vai certamente abrir o apetite a quem ainda não está convencido.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nneka. What? 'Say it again..' please

Letras misturadas com sons 'areggaezados' que não se percebem e um nome em que raramente se acerta na pronúncia. Nunca se sabe muito bem se se há-de gostar ou de odiar Nneka, a cantora nigeriana que passa mais ou menos em todas as rádios portuguesas.
Nneka é muito mais do que a música "Heartbeat", da banda sonora de Morangos com Açúcar. É um apelo à luta nacional na Nigéria, é muito mais que um conjunto de batidas e vozes. É um conceito que mistura luta pacífica e boa música. 
Começou por trabalhar com Sean Paul e outros que tal (afinal, todos temos de começar por algum lado!), até que lhe deram asas para voar sozinha e em 2005 gravou o primeiro álbum a solo. Depois de três discos lançados, a cantora nigeriana continua a ser uma figura de ascensão no mundo da música mundial. Muitos estilos sonoros à mistura - um pouco de blues, mais um pouco de reggae e umas batidas de hip hop e de África - e uma forte corrente de luta étnica traduzem a força de Nneka e o sucesso que tem tido em todo o Mundo, com o seu último CD, 'Soul is Heavy', lançado este ano. Para além das performances a solo a que tem tido direito durante a tour de 2011, Nneka também participa regularmente em espectáculos e concertos com Damian e Ziggy Marley, General Steel e mais uns quantos nomes sonantes da esfera musical nossa conhecida.








Uma Lisboa Perdida

Poema de Viriato Ventura e música de Sam the Kid. Lembram a reestruturação do Cais do Sodré, esforço de retratar outros tempos. Tempos de promiscuidade e adultério assumidos entre marinheiros e prostitutas, ginjinhas, cervejas e boa disposição, em ambientes kirsch quanto baste. 2011 manteve as cervejas e a boa disposição, mas tratou das prostitutas e dos marinheiros e relembrou-nos que a decoração kirsch afinal não é assim tão má. O bar Pensão Amor é capaz de se tornar na próxima tendência preferida dos lisboetas para uma noite bem passada, bem como o Bar da Velha Senhora, tudo num movimentado e refrescante Cais do Sodré.


"Onde estão os meus amigos?
Remotas memórias
Saltitam
Pululam
Cheiros, odores, miragens
O café, o sorriso
"Olá como está!"
E outras encenações
A novidade: A vizinha do 3º fugiu,

Amanhã vem no jornal

Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha / navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha, copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos, vinhos de Torres
Jogging de Marvila

Domingo
Especialmente domingo
Barbeados, dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio / moderno / kitch / mau gosto
12 cordas, mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos, enjaulados
Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB,
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso

E a Lisnave, petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas e eu impotente


Cinemascope e 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente

Paga-se a saudade com cartão de crédito

Táxi, leva-me para onde está o meu amor
Táxi, leva-me para lá de mim
Táxi, atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios"


By Viriato Ventura, em 'Praticamente', de Sam the Kid

sábado, 26 de novembro de 2011

torradas com leit(uras)

Nunca gostei de frio. Nem de frio nem de chuva. E muito menos de vento. Onde eu nasci não há disso, só há chuva quente e bafo em vez de vento. Mas não interessa onde eu nasci, nem as características meteorológicas do dito local. Era uma quarta-feira como tantas outras, mas ao contrário do que tinha acontecido nos dois dias anteriores, hoje fazia sol e parecia não estar frio. O sol aquecia-me os pés debaixo do edredon. Sim, às 4h da tarde eu estava enfiada dentro da cama com o computador como única companhia e de repente senti-me deprimida, senti que não podia continuar ali. Queria ser quem passa, em vez de ficar a ver aqueles que passam. Enfiei-me dentro de uma qualquer camisola daquelas que se dizem de inverno, bem quentes e pesadas, que têm aspecto de ser a companhia perfeita para o pólo norte. Ao mesmo tempo, pensava qual era a esplanada ideal para ler e lanchar (sim, não queria mesmo ficar em casa!). O colombo acabou por não ser a pior escolha de sempre - até porque as esplanadas não estão propriamente atulhadas de pessoas com aspecto duvidoso, como às vezes o centro está - e estive muito bem, até. Bem, mas o frio, da camisola e das minhas leituras com torradas não interessam para esta história. O que interessa é que mais uma vez, questionei-me porque é que os portugueses não andam à noite na rua, não passeiam e não conversam em esplanadas à noite. Que raio de conceito é que se instalou desde há uns anos para cá, que fez com que esta tendência se alargasse e acabasse mesmo por proliferar? Continuo intrigada com esta questão, mas ainda não tenho uma resposta decente e que faça sentido. Não venham com os assaltos e carjackings, porque não me soa a justificação plausível. Não, nem o vento, frio ou chuva roçam o plausível porque como sabem, nunca gostei de frio, porque onde nasci não há disso. Só chuva quente e bafo em vez de vento.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Ah também és de Macau?"

"Ahh também és de Macau? Então deves conhecer aquele gajo..."

Na teoria, sou de macau, mas vivo em Portugal faz anos. Em conversa com o meu primo e mais duas amigas aqui da terra, chegámos à conclusão que de que quem viveu - e mesmo aqueles que só por cá passaram - em Macau, mesmo que se conheçam à coisa de uma semana e picos, são todos muito amigos. Digo isto por experiência própria, porque já não consigo contar pelos dedos a quantidade de gente que digo "sim sim, é meu amigo, conheci-o em Macau!" quando no fundo, não vivo aqui desde os oito anos e contam-se pelos dedos os amigos de infância.
Mas há sempre dois lados numa mesma moeda: acontece dizermos que conhecemos toda a gente, mas se chegarmos a Macau e ninguém nos conhecer, somos logo estranhos... e não nos entranhamos. Existe um lobby em Macau, lobby esse que abre portas para um número quase infinito de possibilidades em todas as áreas de estudo e talvez até nas que não se estudam. Mas infelizmente, a moeda continua a ter dois lados: Se agradarmos ao lobby, então estamos safos, se X torcer o nariz à nossa presença, então somos capazes de não ser bem vindos por mais nenhuma letra do abecedário.
Letras à parte, é importante dizer que Macau é um sítio pequeno, onde todos nos conhecemos.. um pouco como numa pequena aldeia. Com uma pequena grande diferença: Se viermos de Vila-Nova-Atrás-do-Sol-Posto, é improvável que nos cruzemos com algum compatriota em Lisboa. Já de Macau, encontro-os por aí aos pontapés.. seja a tirar curso no técnico de lisboa, a jogar na equipa de rugby do CDUL ou a deambular pelo bairro alto. Eles andam aí e a verdade é que se nos der na gana encetar conversa com 'macaenses', a coisa vai sempre parar a "epá pois, realmente a amiga de um amigo meu que ainda lá vive disse-me que aquilo tá diferente e que o gajo que tocava na banda naquele bar ainda lá está, mas a tocar num sítio completamente diferente!" E sabem qual é a melhor parte disto tudo? É que as hipóteses de sabermos de quem se está a falar são algo remotas, mas a conversa pode perdurar pela noite dentro pelo simples tema que se aborda: Macau.
Há uma coisa a filtrar neste texto: O pessoal de Macau anda por todo o lado e conhece toda a gente. Mesmo que não saibamos de quem se está a falar. Bem, a verdade é que este texto também não fala de ninguém nem é suposto, porque o que aqui se escreve é Macau e não são pessoas.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Homem da Máquina

São oito horas da noite. O trânsito faz-se com dificuldade na estrada à minha frente, enquanto espero pela boleia para casa. As luzes que alumiam as lojas ainda abertas, encandeiam-me os olhos. Estou cansada e continuo à espera da minha boleia. Entre todas as coisas que me passam pela cabeça, a que mais se faz anunciar é a fome. Tenho fome e quero ir para casa. É ali, mesmo em frente ao banco BCM, que o mesmo senhor pequenino e de cabelo já branco, recolhe lixo, em forma de caixas e caixas de cartão. Todos os dias da semana, falhando a hora sempre só por uns minutos. Hoje vi o senhor. Como sempre. Em frente ao BCM. Mas hoje foi diferente. Lá ia ele a caminho da porta com uma imensa panóplia de caixas e é quando se detém em frente de uma loja de produtos de electrónica. Foi aí que reparei em algo pela primeira vez. O sonho e a vontade de ter uma coisa, a transparecer pelos olhos. E acreditem que não era um olhar ambicioso, mas sim um olhar tão puro e sonhador que me fez esboçar um sorriso. Aquele homem chinês com um ar tão humilde estava a olhar para uma máquina fotográfica digital. Ele deteve-se na montra por causa da máquina. Hoje em dia é raro e único vermos alguém fascinar-se tanto com uma coisa como aquele homem. Provavelmente mais único ainda, só mesmo o meu sorriso... Um sorriso dificil de atingir àquela hora do dia. Tinha fome. Queria chegar a casa. Mas vi um senhor a olhar para uma montra e fiquei feliz.

terça-feira, 5 de julho de 2011

agora sim!

Dia 27 de Abril eu queria tudo e muito mais. Hoje descobri que tenho muito mais, mas não tenho tudo. Pensando sinceramente... Tudo não é nada. Muito mais, sim. Isso sim, é ter tudo. Porquê? Porque o mundo real é feito de coisas reais e de pequenas coisas que vamos alcançando. Hoje sinto que alcancei. Alcancei uma dose recomendável de reconhecimento pelo meu (ainda pouco maduro) trabalho e pelo (enorme) esforço que tenho feito. Acho que as pessoas nunca sabem o que querem realmente e mesmo que saibam, as coisas nunca acabam por correr dentro dos conformes. Muitas das ideias acabam por não passar do papel e mesmo que as queiramos pôr em acção um dia mais tarde, o papel já está amarrotado a um canto, porque os planos agora são outros e aquelas ideias já não parecem merecer a nossa atenção. Sempre disse que somos nós que traçamos o nosso próprio destino e modo de vida, e lá está.. é com o passar do tempo que os planos vão mudando e com eles, os pensamentos e lemas. Hoje não acredito ter um lema específico de vida. Amanhã talvez tenha. E a ideia de "vive um dia de cada vez" começa agora a fazer o maior dos sentidos na minha cabeça. Um sentido que nunca tinha feito, algo em que nunca tinha pensado, porque eu não queria viver a vida "um dia de cada vez". Queria vivê-la já no dia de amanhã, fazer planos e planos, amar no futuro e não no presente, pensar no futuro e não no presente, querer o futuro, mas nunca o presente. Onde é que isso me levou? Levou-me ao arrasto, ao arrasto de decisões, vivências, pensamentos e sentimentos. Levou-me a desvalorizar aquilo que um dia valorizaria o meu futuro. Hoje penso no hoje, amanhã pensarei no amanhã. Hoje tudo parece bem, amanhã não sei. Só sei que hoje tudo corre bem, portanto para quê querer tudo, se já tenho muito mais do que dia 27?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Tudo e muito mais

Tenho saudades de não me preocupar. Tenho saudades de chorar, de gritar e de rir até não poder mais. Tenho saudades daqueles que se riem comigo e dos que choram também. Tenho saudades de algumas pessoas. E de mais umas quantas também. É triste quando a inspiração não aparece, parece que nos falta um pedaço de alma, sentimo-nos vazios. Quero escrever, quero viajar, quero conhecer pessoas e sítios, quero sentir sabores, cheiros, guardar momentos e experiências. Quero apanhar sol até ser de noite e quero aproveitar a noite até ser dia. Quero sentar-me no aeroporto de mochila às costas, à espera do próximo voo com vaga. Quero provar comidas que nunca provaria.
Quero tudo isto e muito mais. Será que quero demais?