Nunca gostei de frio. Nem de frio nem de chuva. E muito menos de vento. Onde eu nasci não há disso, só há chuva quente e bafo em vez de vento. Mas não interessa onde eu nasci, nem as características meteorológicas do dito local.
Era uma quarta-feira como tantas outras, mas ao contrário do que tinha acontecido nos dois dias anteriores, hoje fazia sol e parecia não estar frio. O sol aquecia-me os pés debaixo do edredon. Sim, às 4h da tarde eu estava enfiada dentro da cama com o computador como única companhia e de repente senti-me deprimida, senti que não podia continuar ali. Queria ser quem passa, em vez de ficar a ver aqueles que passam.
Enfiei-me dentro de uma qualquer camisola daquelas que se dizem de inverno, bem quentes e pesadas, que têm aspecto de ser a companhia perfeita para o pólo norte. Ao mesmo tempo, pensava qual era a esplanada ideal para ler e lanchar (sim, não queria mesmo ficar em casa!). O colombo acabou por não ser a pior escolha de sempre - até porque as esplanadas não estão propriamente atulhadas de pessoas com aspecto duvidoso, como às vezes o centro está - e estive muito bem, até.
Bem, mas o frio, da camisola e das minhas leituras com torradas não interessam para esta história. O que interessa é que mais uma vez, questionei-me porque é que os portugueses não andam à noite na rua, não passeiam e não conversam em esplanadas à noite. Que raio de conceito é que se instalou desde há uns anos para cá, que fez com que esta tendência se alargasse e acabasse mesmo por proliferar? Continuo intrigada com esta questão, mas ainda não tenho uma resposta decente e que faça sentido. Não venham com os assaltos e carjackings, porque não me soa a justificação plausível. Não, nem o vento, frio ou chuva roçam o plausível porque como sabem, nunca gostei de frio, porque onde nasci não há disso. Só chuva quente e bafo em vez de vento.
sábado, 26 de novembro de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
"Ah também és de Macau?"
"Ahh também és de Macau? Então deves conhecer aquele gajo..."
Na teoria, sou de macau, mas vivo em Portugal faz anos. Em conversa com o meu primo e mais duas amigas aqui da terra, chegámos à conclusão que de que quem viveu - e mesmo aqueles que só por cá passaram - em Macau, mesmo que se conheçam à coisa de uma semana e picos, são todos muito amigos. Digo isto por experiência própria, porque já não consigo contar pelos dedos a quantidade de gente que digo "sim sim, é meu amigo, conheci-o em Macau!" quando no fundo, não vivo aqui desde os oito anos e contam-se pelos dedos os amigos de infância.
Mas há sempre dois lados numa mesma moeda: acontece dizermos que conhecemos toda a gente, mas se chegarmos a Macau e ninguém nos conhecer, somos logo estranhos... e não nos entranhamos. Existe um lobby em Macau, lobby esse que abre portas para um número quase infinito de possibilidades em todas as áreas de estudo e talvez até nas que não se estudam. Mas infelizmente, a moeda continua a ter dois lados: Se agradarmos ao lobby, então estamos safos, se X torcer o nariz à nossa presença, então somos capazes de não ser bem vindos por mais nenhuma letra do abecedário.
Letras à parte, é importante dizer que Macau é um sítio pequeno, onde todos nos conhecemos.. um pouco como numa pequena aldeia. Com uma pequena grande diferença: Se viermos de Vila-Nova-Atrás-do-Sol-Posto, é improvável que nos cruzemos com algum compatriota em Lisboa. Já de Macau, encontro-os por aí aos pontapés.. seja a tirar curso no técnico de lisboa, a jogar na equipa de rugby do CDUL ou a deambular pelo bairro alto. Eles andam aí e a verdade é que se nos der na gana encetar conversa com 'macaenses', a coisa vai sempre parar a "epá pois, realmente a amiga de um amigo meu que ainda lá vive disse-me que aquilo tá diferente e que o gajo que tocava na banda naquele bar ainda lá está, mas a tocar num sítio completamente diferente!" E sabem qual é a melhor parte disto tudo? É que as hipóteses de sabermos de quem se está a falar são algo remotas, mas a conversa pode perdurar pela noite dentro pelo simples tema que se aborda: Macau.
Há uma coisa a filtrar neste texto: O pessoal de Macau anda por todo o lado e conhece toda a gente. Mesmo que não saibamos de quem se está a falar. Bem, a verdade é que este texto também não fala de ninguém nem é suposto, porque o que aqui se escreve é Macau e não são pessoas.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
O Homem da Máquina
São oito horas da noite. O trânsito faz-se com dificuldade na estrada à minha frente, enquanto espero pela boleia para casa. As luzes que alumiam as lojas ainda abertas, encandeiam-me os olhos. Estou cansada e continuo à espera da minha boleia. Entre todas as coisas que me passam pela cabeça, a que mais se faz anunciar é a fome. Tenho fome e quero ir para casa. É ali, mesmo em frente ao banco BCM, que o mesmo senhor pequenino e de cabelo já branco, recolhe lixo, em forma de caixas e caixas de cartão. Todos os dias da semana, falhando a hora sempre só por uns minutos. Hoje vi o senhor. Como sempre. Em frente ao BCM. Mas hoje foi diferente. Lá ia ele a caminho da porta com uma imensa panóplia de caixas e é quando se detém em frente de uma loja de produtos de electrónica. Foi aí que reparei em algo pela primeira vez. O sonho e a vontade de ter uma coisa, a transparecer pelos olhos. E acreditem que não era um olhar ambicioso, mas sim um olhar tão puro e sonhador que me fez esboçar um sorriso. Aquele homem chinês com um ar tão humilde estava a olhar para uma máquina fotográfica digital. Ele deteve-se na montra por causa da máquina. Hoje em dia é raro e único vermos alguém fascinar-se tanto com uma coisa como aquele homem. Provavelmente mais único ainda, só mesmo o meu sorriso... Um sorriso dificil de atingir àquela hora do dia. Tinha fome. Queria chegar a casa. Mas vi um senhor a olhar para uma montra e fiquei feliz.
terça-feira, 5 de julho de 2011
agora sim!
Dia 27 de Abril eu queria tudo e muito mais. Hoje descobri que tenho muito mais, mas não tenho tudo. Pensando sinceramente... Tudo não é nada. Muito mais, sim. Isso sim, é ter tudo. Porquê? Porque o mundo real é feito de coisas reais e de pequenas coisas que vamos alcançando. Hoje sinto que alcancei. Alcancei uma dose recomendável de reconhecimento pelo meu (ainda pouco maduro) trabalho e pelo (enorme) esforço que tenho feito. Acho que as pessoas nunca sabem o que querem realmente e mesmo que saibam, as coisas nunca acabam por correr dentro dos conformes. Muitas das ideias acabam por não passar do papel e mesmo que as queiramos pôr em acção um dia mais tarde, o papel já está amarrotado a um canto, porque os planos agora são outros e aquelas ideias já não parecem merecer a nossa atenção. Sempre disse que somos nós que traçamos o nosso próprio destino e modo de vida, e lá está.. é com o passar do tempo que os planos vão mudando e com eles, os pensamentos e lemas. Hoje não acredito ter um lema específico de vida. Amanhã talvez tenha. E a ideia de "vive um dia de cada vez" começa agora a fazer o maior dos sentidos na minha cabeça. Um sentido que nunca tinha feito, algo em que nunca tinha pensado, porque eu não queria viver a vida "um dia de cada vez". Queria vivê-la já no dia de amanhã, fazer planos e planos, amar no futuro e não no presente, pensar no futuro e não no presente, querer o futuro, mas nunca o presente. Onde é que isso me levou? Levou-me ao arrasto, ao arrasto de decisões, vivências, pensamentos e sentimentos. Levou-me a desvalorizar aquilo que um dia valorizaria o meu futuro. Hoje penso no hoje, amanhã pensarei no amanhã. Hoje tudo parece bem, amanhã não sei. Só sei que hoje tudo corre bem, portanto para quê querer tudo, se já tenho muito mais do que dia 27?
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Tudo e muito mais
Tenho saudades de não me preocupar. Tenho saudades de chorar, de gritar e de rir até não poder mais. Tenho saudades daqueles que se riem comigo e dos que choram também. Tenho saudades de algumas pessoas. E de mais umas quantas também. É triste quando a inspiração não aparece, parece que nos falta um pedaço de alma, sentimo-nos vazios. Quero escrever, quero viajar, quero conhecer pessoas e sítios, quero sentir sabores, cheiros, guardar momentos e experiências. Quero apanhar sol até ser de noite e quero aproveitar a noite até ser dia. Quero sentar-me no aeroporto de mochila às costas, à espera do próximo voo com vaga. Quero provar comidas que nunca provaria.
Quero tudo isto e muito mais. Será que quero demais?
Quero tudo isto e muito mais. Será que quero demais?
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Choveu de novo
A chuva caía lá fora. Às tantas, todos nós nos habituámos, já sabemos que precisamos sempre de um chapéu, de nos preocuparmos em levar um casaco e sapatos impermeáveis. Mas houve um dia especial. O dia em que a chuva parou. Nesse dia continuamos a sair com o chapéu e com as roupas impermeáveis, mas apercebemo-nos entretanto que parou e o Sol brilha bem lá no alto.
Ficamos tão felizes, tão extasiados com este acontecimento, com esperança de que nunca mais chova, de que possamos assistir ao pôr do Sol todos os dias, sem parar.
Mas é assim que acontece... No dia seguinte acordamos com o barulho de gordas gotas de água a baterem nas paredes do quarto onde dormimos. Olhamos pela janela e o alcatrão está molhado; ao ligarmos a aparelhagem ouvimos 1 minuto de tráfego sobre o número de acidentes que se deram na última hora.
Choveu de novo. A esperança morreu.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Ouvi Dizer
A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!
Ornatos Violeta
quarta-feira, 10 de março de 2010
Vista Panorâmica
Visualizem. Tiveram uma aula que dura até as 20h e ainda a semana vai a meio. Estão cansados porque acordaram cedo e já é de noite e ainda ali estiveram enfiados, com mais uns quantos que certamente partilham da vossa opinião e cansaço. Foi a meio dessa aula que comecei a imaginar. Visualizem. Acabou a aula e dirijo-me para o campo pequeno, a fim de apanhar o metro que me levará para o meu T1 com vista panorâmica para a grande cidade de Lisboa. Mal cheguei a casa e já sinto o calor e o tão típico cheiro a lareira. A fraca luminosidade do meu apartamento sugere um perfeito estado de calma e relax. Já sei o que vou fazer. Descalço-me e troco de roupa para o pijama. O frio que faz lá fora dá-me uma súbita vontade de beber um chá quente, com um aroma agradável, que me faça sentir que valeu a pena levantar-me da cama umas horas antes só para poder apreciar este momento. Corro as cortinas só até a meio, para deixar que as luzes da cidade se juntem a mim. A chaleira fez "click". Coloco uma saqueta de "Earl Grey" dentro de uma caneca e junto-lhe água e um pouco de açúcar amarelo. Sem quase me aperceber, passo alguns segundos a observar a difusão do conteúdo da saqueta, enquanto o CD da Diana Krall começa. É então que me dirijo para a sala e me sento no sofá bourdeaux de penas que se encontra virado de frente para a varanda. O meu corpo já está a começar a descomprimir e agora sim, posso pegar no meu livro, beber um golo de chá, enroscar-me numa manta e mergulhar no mundo da ficção, enquanto os carros e as pessoas se mexem velozmente lá fora. Para quê não sei, mas gosto de pensar que se movem por uma boa razão. Porquê? Porque tal como me sabe bem chegar a casa e aperceber-me que há realmente boas razões para me levantar cedo, gosto de pensar que aqueles apressados que se movem no frio da noite, também têm óptimas razões para acordarem cedo todas as manhãs.
Sabe tão bem sonhar, porque no fundo.. "tudo vale a pena quando a alma não é pequena".
10/03/2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Pessoas
Tenho dois ensaios académicos para redigir e uma boa quantidade de livros para ler. As ideias esvoaçam por aí, com medo de se tornarem reais. Conheço muita gente. Conheço pessoas gordas, magras, velhas e novas, de olhos claros, escuros e assim assim. Pessoas que sempre quis conhecer e outras que nem por isso. Pessoas despreocupadas e outras amarguradas. Mas todas possuem algo em comum. Não sei como chamar a esta característica que se mostra em qualquer rua, ruela, avenida ou viela onde eu passe. É uma característica comum, que descreve um povo e não uma pessoa apenas. Não vagueia solitária, pelo contrário. Faz-se acompanhar de muitas outras características que juntas me forçam a apelidar o povo português de sonhador. Sim, somos um povo sonhador. Conheço muita gente. Aqueles que sonham, aqueles que falam, aqueles que ouvem e ocasionalmente, encontro por aí aqueles que para além de sonharem, falarem e ouvirem, também realizam. Aqueles que sonham? Encontro-os perdidos por aí com as minhas ideias e tal como elas, têm medo de se tornarem algo. Embora perdidos, agrada-me o simples facto de existirem.
Redigido a 20 de Fevereiro de 2010
365
Um ano? São apenas 365 dias, nada que se possa comparar a uma década ou mesmo a um século. Mas pensando melhor, mesmo que sejam só 365 dias, tudo pode mudar. As pessoas sofrem, riem, choram, amam, mas acima de tudo, é necessário que aprendam com isso. Talvez seja parvoíce minha, mas é-me difícil adaptar a tudo aquilo que é novo e que me afasta daqueles de quem eu mais gosto. Querem um argumento? Não sei se servirá, mas.. Talvez por gostar demasiado daqueles que fazem parte da minha vida ou até por não saber classificar prioridades.
Há anos piores e anos melhores. Há aqueles em que tudo corre bem, e em que tudo se resolve como nós queremos e depois há aqueles..em que nada parece chegar, a nossa vida e as pessoas que dela fazem parte estão completamente viradas do avesso, contamos os minutos, horas e dias para que tudo volte ao normal, desesperados por não saber se acabará tudo bem. E depois temos aqueles anos das questões inacabadas. Sucedem-se normalmente a seguir a um “mau ano”. É aquele ano em que todos nós tentamos esquecer o passado, mas ele insiste em não se soltar de nós. Está bem que o passado é aquilo que nos faz ter memórias e recordações, mas às vezes não são, nem de longe, as melhores. Hoje sei que há milhares de coisas que eu podia ter evitado, mas também sei que outros milhares de coisas que eu nunca podia ter evitado, mesmo que agora esteja a sofrer com isso. Temos sempre a opção de fugir. Não, não é fugir de casa nem nada que se pareça. É fugir daquilo que nos atormenta, pôr um fim a certos episódios que tendem a repetir-se, nem que seja só na nossa cabeça. São aqueles episódios que nos fizeram incrivelmente felizes na altura em que aconteceram, mas agora daríamos tudo para que fossem uma mera ilusão.
Na verdade, fugir não iria resolver os problemas, apenas iria demorar a sua resolução. Mas visto que não há nenhum estudo científico nem qualquer teorização aprovada sobre “o que fazer quando o passado insiste em perdurar…quanto a vocês não sei, mas eu vou tentar viver a minha vida ao máximo e se algum dia surgir uma oportunidade de resolver as tais “questões inacabadas”, vou agarrar essa chance, com toda a força de vontade que tenho; Porque alguém um dia me disse: “Bora viver as nossas vidas por enquanto e pode ser que um dia tenhamos uma 2ª oportunidade”. Enquanto esse dia não chega, existem outros 364 para viver!
Redigido a 9/Dez/2007, 21:04
Há anos piores e anos melhores. Há aqueles em que tudo corre bem, e em que tudo se resolve como nós queremos e depois há aqueles..em que nada parece chegar, a nossa vida e as pessoas que dela fazem parte estão completamente viradas do avesso, contamos os minutos, horas e dias para que tudo volte ao normal, desesperados por não saber se acabará tudo bem. E depois temos aqueles anos das questões inacabadas. Sucedem-se normalmente a seguir a um “mau ano”. É aquele ano em que todos nós tentamos esquecer o passado, mas ele insiste em não se soltar de nós. Está bem que o passado é aquilo que nos faz ter memórias e recordações, mas às vezes não são, nem de longe, as melhores. Hoje sei que há milhares de coisas que eu podia ter evitado, mas também sei que outros milhares de coisas que eu nunca podia ter evitado, mesmo que agora esteja a sofrer com isso. Temos sempre a opção de fugir. Não, não é fugir de casa nem nada que se pareça. É fugir daquilo que nos atormenta, pôr um fim a certos episódios que tendem a repetir-se, nem que seja só na nossa cabeça. São aqueles episódios que nos fizeram incrivelmente felizes na altura em que aconteceram, mas agora daríamos tudo para que fossem uma mera ilusão.
Na verdade, fugir não iria resolver os problemas, apenas iria demorar a sua resolução. Mas visto que não há nenhum estudo científico nem qualquer teorização aprovada sobre “o que fazer quando o passado insiste em perdurar…quanto a vocês não sei, mas eu vou tentar viver a minha vida ao máximo e se algum dia surgir uma oportunidade de resolver as tais “questões inacabadas”, vou agarrar essa chance, com toda a força de vontade que tenho; Porque alguém um dia me disse: “Bora viver as nossas vidas por enquanto e pode ser que um dia tenhamos uma 2ª oportunidade”. Enquanto esse dia não chega, existem outros 364 para viver!
Redigido a 9/Dez/2007, 21:04
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